Neste review, exploro “Sunraven”, o novo disco da Grand Magus que combina o melhor do Heavy/Doom Metal em nove faixas inspiradas no poema “Beowulf”. Com riffs impactantes, produção de alto nível e a formação intacta, o álbum consolida a força épica da banda em parceria com a Shinigami Records no Brasil.

Introdução
Formada em Estocolmo, Suécia, em 1999, a banda Grand Magus consolidou-se como um nome emblemático do Heavy/Doom Metal moderno, unindo riffs poderosos e atmosferas carregadas de misticismo.
Desde o lançamento do seu debut, “Grand Magus” (2001), a banda chamou atenção pela fusão de elementos tradicionais com uma pegada mais lenta e densa, vinda de seu passado doom.
Ao longo da discografia, “Monument” (2003) e “Wolf’s Return” (2005) reforçaram o estilo épico característico, abrindo caminho para álbuns aclamados, incluindo “Iron Will” (2008) e “Hammer of the North” (2010).
Em 2012, “The Hunt” demonstrou uma sonoridade mais acessível, até “Triumph and Power” (2014) e “Sword Songs” (2016) evidenciarem um espírito aguerrido. “Wolf God” (2019) selou a nona investida de estúdio.
Agora, chego ao décimo capítulo, “Sunraven”, lançado em 2024, que consolida o DNA combativo desse trio, em parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast no Brasil, reafirmando sua importância no metal contemporâneo.

Ficha Técnica de “Sunraven”
Composto por nove faixas e totalizando 35 minutos e 13 segundos, “Sunraven” é o décimo álbum de estúdio do Grand Magus, lançado em 18 de outubro de 2024. Gravado no The Sweetspot Studio, em Harplinge (Suécia), em novembro de 2023, o disco contou com produção, engenharia, mixagem e masterização de Staffan Karlsson. A arte da capa foi assinada por Anthony Roberts, enquanto o layout ficou sob os cuidados de Florian Karg e as fotografias por conta de Johan Bååth.
A formação responsável pelas gravações permanece inalterada, com JB nos vocais e guitarra, Fox no baixo e backing vocals e Ludwig na bateria. As composições seguem a linha Heavy/Doom Metal, mantendo-se fiéis às raízes do grupo. As letras foram escritas por JB, inspiradas no poema épico “Beowulf”.

O que Grand Magus diz de “Sunraven”?
“Gravamos ‘Wolf God’ em novembro de 2018 e o lançamos em 2019”, relembra JB Christoffersson. “Saímos em turnê no início de 2020, e então a pandemia nos atingiu. Voltei a ouvir AC/DC! [Risos].” Ele comenta: “Para mim, muitas coisas simplesmente pararam, então eu desisti!” Em vez de apresentações virtuais, preferiu evitar essa rotina: “Não estava interessado em fazer shows online desde a nossa sala de ensaio, porque não foi por isso que comecei a tocar ou ouvir Heavy Metal!”
O vocalista e guitarrista enfatiza a plena retomada criativa: “No ano passado, 2023, dissemos que queríamos fazer um novo álbum. Acho que a inspiração e a fome já tinham retornado!” Sobre o conceito que norteia as faixas, revela: “O álbum é sobre Beowulf e Grendel. Nunca fiz nada parecido com isso antes. Algumas das músicas são escritas a partir da perspectiva de Beowulf, outras da de Grendel.”
Ao abordar a faixa de abertura, JB acrescenta: “Skybound é obviamente uma música sobre a morte e sobre ir para o Valhalla.” Ele conclui: “O objetivo final é projetar a alegria e a sensação de poder que o Heavy Metal sempre significou. Esse é o verdadeiro objetivo do que temos feito todos esses anos.”

Minha Resenha de “Sunraven”, do Grand Magus
Quando iniciei minhas audições de “Sunraven”, percebi o Grand Magus revigorado, mesclando o peso cadenciado do doom a uma veia tradicional de Heavy Metal. Quem sentia falta da agressividade típica dos suecos notará riffs mais contundentes, acompanhados por uma atmosfera heroica que permeia todo o álbum.
Na abertura, “Skybound” deixa clara essa energia. As guitarras soam robustas, enquanto o vocal de JB evoca batalhas épicas. “The Wheel of Pain” aprofunda o tom denso, com arranjos quase sufocantes e referências ao universo de Beowulf, explorando o embate entre heroísmo e escuridão.
A faixa-título adota uma pegada acelerada, flertando com o speed metal. Em “Winter Storms”, há um clima gelado que aproxima o ouvinte de um cenário mitológico, sem jamais abandonar o DNA doom. “The Black Lake” merece destaque pela introdução suave que desemboca em riffs carregados, refletindo influências sabbathianas e uma atmosfera ritualística.
Logo após, “Hour of the Wolf” exibe vigor e refrão marcante, o que exemplifica o heavy metal puro que a banda defende. Na reta final, “Grendel” e “To Heorot” expandem o conceito lírico, ora sob a ótica do monstro, ora do herói, evidenciando solos velozes e hinos de celebração. “The End Belongs to You” finaliza tudo com uma sensação de conquista épica, mantendo o peso característico.
A coesão dessas nove faixas me surpreendeu. Alguns acusam o Grand Magus de repetição, mas considero “Sunraven” um salto em relação aos lançamentos menos inspirados. Houve quem o aclamasse como o melhor desde 2012, e vejo algum sentido nisso, dada a consistência. Para mim, a guitarra de JB recupera uma pegada encorpada, enquanto o baixo de Fox e a bateria de Ludwig sustentam o peso com firmeza. A produção ressalta a dramaticidade, e o conceito beowulfiano amarra a narrativa de modo envolvente.
Por outro lado, entendo quem enxergue em “Sunraven” uma continuidade de certa previsibilidade. Isso porque, as composições, embora enérgicas, não alcançam o patamar de criatividade renovadora. Mas sejamos honestos: esta não é aproposta!
É inegável que certos clichês se repetem, sobretudo nos refrãos que exaltam batalhas e conquistas. Contudo, considero que esses elementos fazem parte do DNA do Grand Magus e são executados com vigor renovado.
Interessante notar que algumas passagens lembram o Power Metal norte americano, de bandas como Cirith Ungol e o Manilla Road, dentro de uma musicalidade que tradicionalmente bebe da fonte do peso soturno que remete a Black Sabbath, Pentagram e Trouble, resultando num híbrido entre o doom e o heavy tradicional.
De forma positiva, “Sunraven” abraça a simplicidade de riffs marcantes, refrões cativantes e uma temática mitológica que convida ao escapismo. Nesse sentido, ele me transmite a energia despreocupada lembrando que, às vezes, basta um punhado de boas canções para reacender a paixão pelo metal.
Se a busca for por inovação radical, talvez não seja este o álbum ideal. A banda opta por terreno seguro, com passagens familiares e ecos de trabalhos anteriores. Contudo, aprecio a forma como reencontraram a chama épica que os distingue.
“Sunraven” equilibra tradição e renovação de forma satisfatória, despertando em mim aquela sede de lendas guerreiras e uma crença no poder quase mítico do metal. Sem faixas excessivamente longas, a audição transcorre fluida e deixa gosto de quero mais.

Top 3 de “Sunraven”
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Skybound”: responsável por abrir o disco com riffs impactantes e refrão enérgico, evidenciando o retorno de uma pegada mais crua e envolvente. Nela, o vocal de JB se destaca ao alternar entre tons graves e passagens mais grandiosas, evocando coragem e imponência.
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“The Black Lake”: revela o lado mais denso e atmosférico, apresentando uma introdução quase acústica antes de estourar em um riff sabático. O diálogo entre guitarra e baixo gera uma ambientação ritualística, perfeita para quem aprecia a fusão de doom com melodias hipnóticas.
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“Hour of the Wolf”: exibe um aspecto mais veloz, com solos cheios de vitalidade e um refrão épico. É a faixa ideal para sentir o pulsar do Heavy Metal e comprovar a versatilidade do trio sueco. Uma ode ao gênero.
Conclusão
Em linhas gerais, “Sunraven” reflete a convergência entre o legado doom do Grand Magus e sua veia heavy tradicional, costurada por um conceito lírico envolvente. Eu o vejo como um passo firme rumo à reafirmação de identidade, sem abrir mão de momentos de ousadia.
A atmosfera mitológica, apoiada em riffs potentes e passagens densas, me convida a revisitar o disco repetidas vezes. Se você busca um álbum que equilibre peso, melodia e uma dose de fantasia heroica, aqui está a escolha. E, claro, não deixe de garantir sua cópia para mergulhar de vez nessa saga musical empolgante e muito irresistível.
Leia Mais:
- Grand Magus – Review de “The Hunt” (2012)
- Hammerfall – Review de “Avenge The Fallen” (2024)
- Grand Magus – Review de “Wolf God” (2019)
- Lucifer – Review de “Lucifer III” (2020 | 2024, Shinigami Records)
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