Review de “Happy”, o terceiro álbum do Oceans. Ao longo de 11 faixas, a banda alemã injeta agressividade, crítica social e temáticas de saúde mental em um som que funde Post-hardcore, Metalcore, Nu Metal e Death Metal. Confira a resenha completa abaixo.

Introdução:
A banda alemã Oceans surgiu em 2017 unindo influências de Nu Metal, Death Metal e Post Rock para moldar uma sonoridade intensa. Em 2019, estrearam com o EP “Into the Void” e logo chamaram atenção pelas temáticas profundas sobre saúde mental.
Dois anos depois, apresentaram seu primeiro full-length, “The Sun And The Cold” (2020), e consolidaram ainda mais sua presença no cenário com o segundo álbum, “Hell Is Where The Heart Is” (2022).
Nessa trajetória, firmaram parceria com selos renomados e mostraram versatilidade ao incorporar diferentes elementos musicais, transitando entre passagens agressivas e nuances atmosféricas.
Agora, em seu terceiro trabalho, “Happy” (2024), a banda intensifica a carga emocional, traduzindo frustrações e reflexões sobre o mundo moderno em faixas que combinam riffs densos, vocais extremos e climas soturnos.

Ficha Técnica de “Happy”
Este terceiro álbum de estúdio do Oceans traz 11 faixas em cerca de 39 minutos e 51 segundos de duração. Lançado em 2024, “Happy” chegou ao Brasil numa parceria entre os selos Nuclear Blast e Shinigami Records.
O registro conta com participações especiais de MISSTIQ e do vocalista Josh Collard, da banda Earth Caller. A formação oficial inclui Timo Schwämmlein (vocal, guitarra), Patrick Zarske (guitarra), Thomas Winkelmann (baixo) e J.F. Grill (bateria), sem mudanças confirmadas desde o trabalho anterior. A produção ficou a cargo de Christoph Wieczorek, Julian Breucker e Timo Rotten, que também cuidou da mixagem e da masterização.
O álbum combina elementos de Post-hardcore, Metalcore, Nu Metal e Death Metal, resultando em uma sonoridade densa e ousada, emoldurando letras que discutem saúde mental e críticas sociais, “Happy” se posiciona como um marco na trajetória da banda, consolidando a proposta artística da banda.

O que eles dizem de “Happy”?
No press-release, podemos ler que o “Oceans está de volta com uma ferocidade sem precedentes. Prepare-se para a chegada do terceiro álbum de estúdio, intitulado ‘Happy’, que vem como um rolo compressor colossal e mostra a capacidade da banda de fundir Nu Metal, Death Metal e Post Rock em seu som.”
O texto enfatiza: “Enquanto o mundo enfrenta uma crise após a outra, o Oceans está canalizando sua frustração com a situação atual do mundo em uma declaração ousada contra a influência das mídias sociais, mantendo sua missão de promover a conscientização sobre saúde mental.”
Ainda de acordo com o pree-release: “Esta banda nunca soou tão raivosa quanto agora, e essas 11 músicas provam como essa emoção combina com eles. Certamente foi isso também que convenceu nomes como MISSTIQ e Josh Collard, da Earth Caller, a participar como convidados de destaque.”
Por fim, conclui: “‘Happy’ é uma boa pedida, este álbum brevemente será considerado uma influência dentro de alguns anos.”

Review de “Happy”, do Oceans
Decara, quando iniciei a audição de “Happy”, percebi de cara um clima avassalador que mescla agressividade e uma atmosfera densa. Logo no começo, “Parasite” abre como uma brusca imersão em caos, trazendo blast beats pulsantes e riffs que beiram o Death Metal, mesclados a pequenos toques de Nu Metal.
Ao emendar com “Spit”, essa onda extrema se confirma, como se a banda tivesse decidido despejar toda a fúria acumulada em explosões de velocidade e vocais furiosos. Quem esperava mais espaço para melodias elaboradas talvez sinta falta dos respiros melódicos presentes em álbuns anteriores. Aqui, a banda investe em intensidade quase constante.
Em contrapartida, o impacto sonoro é notável, potencializado por uma produção que realça a percussão e os vocais. Isso reforça a interpretação visceral de Schwämmlein, mas sacrifica alguns detalhes instrumentais.
Sem dúvidas existe uma sensação de urgência, tanto em letra quanto em música. Em faixas como “Click Like Share”, a banda aborda a superficialidade virtual sem abrir mão do peso instrumental, alternando vocais agressivos e passagens limpas que evocam ecos de bandas como Bring Me The Horizon.
No geral, musicalmente “Happy” é um disco pesado, mas ainda acessível em certos refrães. Se você busca passagens atmosféricas e longos interlúdios, pode se decepcionar e achar este disco opressivo demais. Contudo, fica claro que o Oceans não teme arriscar ao abraçar elementos do Nu Metal, manter um pé no Death Metal e pincelar toques de Post Rock.
Embora o ritmo frenético seja marcante, algumas composições investem em passagens menos aceleradas, lembrando o Post Rock atmosférico dos primeiros trabalhos do grupo. Isso revela que o Oceans não abandonou completamente suas raízes introspectivas; apenas priorizou a agressividade.
Mesmo com semelhanças pontuais a Slipknot ou Limp Bizkit em alguns movimentos, sinto que há mais profundidade do que simples mimetização. O autoproclamado “nu death metal” descreve bem a fusão de vertentes que eles realizam.
Confesso que me surpreendi com a versatilidade vocal de Timo Schwämmlein. Em “Self Doubt 24/7” há até uma passagem quase com vocais que lembram o rap, reforçando as tangências com linguagens musicais multifacetadas.
Tudo bem que a musicalidade soa previsíel em diversos pontos, mas, ainda assim, destaco a coragem experimental de “Happy”, a faixa-título, que começa suave e logo mergulha em sequências pesadas, mostrando a dor e a melancolia em cada acorde, buscando no atrito de opostos seu trunfo para cativar o ouvinte.
Por sua vez, “Slaves To The Feed” traz a participação de Josh Collard que adiciona um tempero extra, enquanto riffs e batidas lembram um maquinário incansável. Há algo nessa abordagem que recorda a criatividade de bandas como Mudvayne, unindo arranjos intricados e carga emocional catártica.
No fim das contas, vejo “Happy” como um capítulo importante na evolução do grupo. Ele fala a um público jovem que se identifica com letras sobre ansiedade e isolamento, mas também pode agradar fãs de sonoridades extremas em busca de algo fora do lugar-comum.
Há momentos de exagero? Sim, vários! Porém não se pode negar o impacto de “Happy” no atrito de raiva musical e crítica social que cria uma estética intensa para o estilo, sem tanta variação dinâmica. É como se você estivesse preso num furacão metalcore, girando e sendo açoitado por todos os lados por guitarras pesadas e vocais desesperados
Top 3 de “Happy”
- “Parasite” se destaca pela intensidade e pela forma como introduz toda a carga emocional do disco.
- “Click Like Share” se destaca pela construção musical funde riffs velozes a passagens mais pausadas, criando um contraste que reflete a superficialidade online confrontada pela banda.
- “Happy” sintetiza a identidade deste álbum: começa com uma melodia melancólica que logo explode em peso extremo.

Conclusão
Enfim, “Happy” consolida o Oceans como uma força criativa disposta a unir peso extremo e reflexões atuais em faixas que equilibram técnica e sentimento. Apesar de algumas passagens soarem repetitivas, o disco consegue impactar pelas composições intensas e densas, sem abrir mão de passagens melódicas pontuais.
A temática focada em crítica social e saúde mental confere relevância contemporânea ao trabalho, tornando-o atraente para ouvintes que buscam mais do que apenas riffs poderosos.
Leia Mais:
- Simone Simons – Review de “Vermillion” (2024, Shinigami Rec.)
- Wintersun – Review de “Time II” (2024)
- De Strokes a Linkin Park: As 20 Bandas que “Salvaram” o Rock nos anos 2000.
- O que é Metalcore? História, Bandas e Os 30 Discos Essenciais
Outros Artigos que Podem Ser do Seu Interesse:
- Kindle Unlimited: 10 razões para usar os 30 dias grátis e assinar
- Os 6 melhores fones de ouvido sem fio com bateria de longa duração hoje em dia
- Edição de Vídeo como Renda Extra: Os 5 Notebooks Mais Recomendados
- As 3 Formas de Organizar sua Rotina que Impulsionarão sua Criatividade
- Camisetas Insider: A Camiseta Básica Perfeita para o Homem Moderno